15/09/2018 às 10h02min - Atualizada em 15/09/2018 às 10h02min

Entrevista de Haddad no Jornal Nacional é focada em corrupção

Exame
- Guilherme Dearo

São Paulo — Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, teve embates duros na noite desta sexta-feira (14) em entrevista no Jornal Nacional, da TV Globo.

A maior parte dos 27 minutos ficou centrada no tema da corrupção e o candidato colocou a própria emissora no foco em alguns momentos.

Perguntado sobre o número de petistas investigados, inclusive a ex-presidente Dilma Rousseff, Haddad disse que “a Rede globo é investigada”, como forma de indicar que investigação não significa culpa.

“A Rede Globo muitas vezes condena por antecipação”, disse Haddad. Posteriormente, perguntou a Bonner: “‘qual é a pessoa que está na vida pública que não está investigada?’.

A entrevista começou com a afirmação de Renata Vasconcellos de que o PT nunca fez uma autocrítica em relação ao seu envolvimento em escândalos como o mensalão e o petrolão.

Haddad disse que os esquemas na Petrobras remontam ao período da ditadura militar e focou no fortalecimento, durante as gestões petistas, de instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público.

“Se você não fortalece os mecanismos de combate a corrupção, você não descobre a corrupção”, disse ele.

Haddad também teve que responder por afirmações de membros do PT de que haveria algum tipo de conspiração no Judiciário contra o partido e o ex-presidente Lula.

Como seria possível afirmar isso diante do fato de que a grande maioria dos desembargadores, membros do Supremo Tribunal Federal e do TRF4 foram indicados por governos petistas, perguntou Bonner.

“O que você testemunha é que nós nunca partidarizamos o Judiciário”, disse ele, completando que “tanto o Judiciário pode errar que os recursos estão previstos na Constituição. Se fosse infalível, bastava ter juiz de primeira instância”.

A entrevista entrou também na denúncia em relação a Haddad na Operação Lava Jato, baseada em delação de Ricardo Pessoa, da UTC.

Haddad disse que contrariou interesses da empresa ao cancelar o projeto de um túnel, e apontou que o timing da denúncia, longe do ocorrido e perto da eleição, está sendo investigado pela corregedoria do MP.

Renata perguntou então sobre a questão dos “postes”, candidatos menos conhecidos apontados por padrinhos políticos, e os motivos para ele não ter sido reeleito prefeito de São Paulo em 2016.

Ele rejeitou o rótulo, listando conquistas da sua gestão no Ministério da Educação de 2005 a 2012, e disse que 2016 foi “um ano muito atípico” na cidade de São Paulo por causa do “clima antipetista”, Segundo ele, “o eleitor foi induzido ao erro” e “o demônio do país virou o PT”.

Neste momento e depois, comentando a crise econômica que se iniciou no governo petista, Haddad citou uma entrevista dada por Tasso Jereissatti.

Semana de entrevistas

A “semana de entrevistas” do telejornal aconteceu duas semanas atrás, quando quatro candidatos foram entrevistados por William Bonner e Renata Vasconcellos: Ciro GomesJair BolsonaroGeraldo Alckmin e Marina Silva.

Naquela semana, o dia reservado ao PT, sexta-feira dia 31 de agosto, não contou com entrevistas. Ainda candidato oficial, o ex-presidente Lula estava preso em Curitiba e, obviamente, não foi ao gravar no Rio de Janeiro. Já Fernando Haddad ainda não era o candidato oficial do partido, que ainda insistia que Lula era a única opção.

No último dia 11, o partido confirmou o ex-prefeito de São Paulo como candidato. Manuela D’Ávila será sua vice.

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